Tokyo! – Contos Urbanos

Em um momento de tormentas na terra do sol nascente, o pitoresco filme Tokyo! (2008) traz inspiração e criatividade aos admiradores da cultura japonesa. O filme é dividido em três contos, coordenados por uma direção multicultural (Joon-ho Bong,  Leos Carax e Michel Gondry), que relatam realidades urbanas em contos não convencionais.

O primeiro  conto, “design interior”,  mostra a história de um casal morando de favor na casa de uma amiga, que já não tem paciência para hospedá-los.  Na busca pela emancipação, o sucesso do namorado faz com que sua parceira desempregada se sinta deixada de lado, fazendo com que ela  literalmente se transforme em uma cadeira.

Na sequência, talvez o ápice do filme, a história do monstro ”Merda” entra em cena.  Uma besta  urbana que vive dentro de um esgoto inferniza Tokio de tempos em tempos, se alimentando de flores, roubando cigarros e atacando a população local. Merda se tranforma ao mesmo tempo em um ídolo e mártir na cidade, dividindo opiniões mas, sobretudo, se transformando em um ícone nacional. O monstro urbano passa a ser buscado pela polícia e após julgamento acaba condenado a morte.  No entanto, a forca acaba não sendo suficiente para o matar e o filme termina com sua fuga e desaparição. Durante todo o seu julgamento, Merda é assessorado por um francês que alega falar a lingua da besta e atua como tradutor no tribunal.

O terceiro conto talvez seja prejudicado pela perda de concentração do teleespectador, no entanto talvez seja o mais interessante dos contos. O relato trata de um Hikikomori (indivíduo que vive em isolamento doméstico) em confinamento a 10 anos que aos poucos vai superando sua fobia pelo mundo exterior e ao contato humano. A curiosidade pela interação humana o leva a sair de casa. No entanto, se supreende ao se dar conta que toda população se encontra confinada em seus domicílios e que a liberdade agora o mantém preso.
Uma súbita mudança acontece quando o movimento da personagem pela liberdade acarreta em um terremoto e obriga a população a sair de suas casas e a se depararem com a realidade.

Os três contos inicialmente aparecem disconexos mas os elementos presentes nestes traduzem vivências humanas vivenciadas extensivamentes em nossa sociedade. Ótimo filme para nos observarmos com distanciamento.

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A Era do Psiconomadismo

“Nesta sociedade de espetáculos, tudo o que é vivido se transforma em uma acumulação de imagens, se tornando  representação” Guy Debord
Escrito em 1967, o livro “Sociedade do Espetáculo”, do pensador francês Guy Debord questiona a sociedade da época que, seguindo as diretrizes da vida moderna pós-industrial, prefere a imagem e a representação ao realismo concreto e natural. Ou seja, a aparência ao ser. Se a luta da época era contra o capitalismo moderno, esta soa desgastada mas se aplica de maneira ainda mais verossímil se a relacionarmos com a chamada “Geração XY” ou “Geração 2.0”.

Com idade inferior a minha e provavelmente a sua – afinal de contas, se não o forem, já teriam se desinteressado pelo tema proposto logo nas primeiras linhas -, estes jovens, se já não nasceram com a internet, se habituaram a ela para tudo o que fazem no seu dia-a-dia. Durante a escola, trocam mensagens entre si, depois, em casa, ficam grande parte do tempo navegando em redes-sociais e, infelizmente, na grande maioria dos casos realizando atividades que não agradariam qualquer pai, mãe ou educador. Não por acaso, esta geração também foi apelidada de “Look At Me Generation”. Não é raro achar jovens que passam o dia atualizando seus perfis nas diferentes redes sociais que possuem cadastro, como MySpace, Facebook, Twitter, ou seguindo a vida de pessoas que as interessam pelos mais diversos motivos.

Na busca por conteúdo, procurando por tudo, acabam encontrando o nada. Seria a maximização do ser “quase”, descrito por Washington Olivetto. Um alguém que sabe “quase tudo” sobre quase tudo. Se para o publicitário a sociedade era composta de homens quase-inteligentes, quase-informados, quase-bonitos etc. – pode-se dizer que a revolução tecnológica está parindo a sociedade da ejaculação precoce. Ou seja, são pequenos seres que passaram do quase. Que já são informados mas que, olhando a fundo, nada sabem.

Se por um lado a multiplicidade de informações possibilita um número ilimitado de informações, por outro, e pelos mesmos motivos, ela limita o conhecimento geral. Explico. Se ao pesquisar sobre, digamos, o citado Guy Debord no Google e entrarmos na página do Wikipedia do autor, nos deparamos com um texto de seis parágrafos e 23 hiperlinks. Além de pensar que lendo os seis parágrafos já será possível saber quem foi Debord, o usuário tem a certeza de que, acessando cada um destes links, ele saberá 23 coisas novas. E quem disse que será preciso ler o texto inteiro? Idiotas somos nós, que lutamos pela resistência de jornais e livros. E não duvide que, em pouco tempo, o livro de Debord estará na lista de preferidos de uma série de perfis do Facebook. Quem sabe até possa se criar uma comunidade, afinal, o importante não é conhecer, mas sim, mostrar que conhece.

Em editorial recente, o mais prestigiado jornal do planeta, o The New York Times – que, por sua vez, está a beira de um colapso – definiu a era em que vivemos como a Era do Encolhimento. Este condensamento, que impacta desde o tamanho dos carros ao tamanho das embalagens de pães, impacta no tipo de informação que é buscada – daí o sucesso do “microblog” Twitter. Hoje em dia, poucos ainda lêem textos densos e longos – oi, alguém ainda tá por aqui?! – na internet. Esta tendência que surgiu com a substituição do e-mail por mensagens de textos tende a ficar ainda mais sintética, assim como a linguagem, cada vez mais metonímica.

Com uma necessidade cada vez maior de selecionar o conteúdo que irá receber, a Geração XY vive um processo de consumo viral, onde os formadores de opinião não estão sentados em confortáveis cadeiras em suas redações e sim na carteira ao lado. E isso, com muita pressa, por favor.

Direcionando o artigo a um dos temas mais discutidos pelos jovens, a música, é interessante ver que não é apenas o psiconomadismo que exerce sua força sobre eles, mas também a clássica sensação de levar vantagem sobre o que têm contato.
Estamos vivendo na Indústria Musical um período de intensa transição do modelo físico para o digital. A venda de CDs tem caído vertiginosamente desde 2002 (apesar de parecer ter se estabilizado agora). Segundo dados da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos), se no começo da década a venda de álbuns girava em torno de R$ 650 milhões, hoje em dia este número caiu para R$ 200 milhões. Na contramão destes dados, o consumo de música em celulares e na internet faz cada vez mais parte do dia-a-dia dos jovens. Apesar disso, é notório que aproximadamente 95% dos downloads de música digital são realizados de maneira ilegal, ou seja, são pirateados. Segundo pesquisa da Ipson Insight encomendada pela ABPD, se os downloads realizados fossem feitos de maneira legalizada, o setor arrecadaria três vezes mais do que o montante acumulado pelo mercado oficial com a venda de CDs e DVDs.

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Apesar do número avassalador da aquisição de conteúdo ilegal na internet, pode-se enxergar uma perspectiva animadora para o setor. As receitas com música digital no Brasil apresentaram, em 2007, um aumento de 185% em relação a 2006. As vendas através da telefonia celular tiveram um crescimento de 157% e suas receitas representaram 76% do total do mercado digital, contra apenas 24% da internet. Mas se o jovem passa tanto tempo na internet, por que este consumo é tão dispare?
Desde que a Indústria Musical e a Indústria da Telefonia Móvel viram que poderiam trabalhar juntas, diversos artistas de grande porte como Ivete Sangalo, Cláudia Leite, U2, NX Zero, entre muitos outros tiveram seus conteúdos atrelados a venda de celulares. Desta forma, em um caso representativo, o Jota Quest foi premiado com o “Celular de Diamantes” por ter vendido mais de 800.000 unidades do Sony Ericsson Walkman com conteúdo exclusivo da banda, como as músicas do novo CD, imagens de bastidores, músicas exclusivas para download, entre outras vantagens, gratuitamente. Gratuitamente? Ora, não exatamente, mas é exatamente esta sensação que faz o consumidor buscar o conteúdo neste modelo de negócio e não na venda online. Ou seja, se o conteúdo não pode ser dado, ao menos deve-se fingir que pareça isso. Ou será que os jovens realmente se preocupam e são engajados na luta contra a pirataria como a ACPM (Associação Anti-Pirataria Cinema e Música) ingenuamente acreditou? Não. Como bem Guy Debord definiu, nesta sociedade do espetáculo pós-tudo (como diria Caetano Veloso), a informação deve ser encontrada de maneira fácil e rápida, tanto faz se isso é feito de maneira ilegal ou não. Além deste fato, um grande motor social é o “consumo de expectativa”, ou seja, o jovem vivencia o produto mesmo antes de possuí-lo. Desta forma, suas necessidades reais  e a posse de um objeto são menos representativas do que o desejo que esse transmite. Mesmo sem necessidade, o jovem busca o IPod com maior capacidade, o celular com mais diferenciais e aplicativos etc.

Percebendo este “Gap Social”, a Nokia acaba de lançar sua grande aposta – o aparelho Nokia Comes With Music. Neste modelo, o dono do aparelho pode adquirir, em um ano, quantas músicas quiser, de graça (não entrarei neste mérito novamente), quantas músicas desejar. O acervo da Nokia é composto por todas as grandes majors e um grande número de selo independentes que vêem seu montante crescer de acordo com o número de músicas suas baixadas. Desta forma, todos ganham: O consumidor, que fica com a sensação de que está “se dando bem” ; as gravadoras, que ganham um reforço na luta para continuarem vivas ; a Nokia, por conta da venda de celulares com alto valor agregado e com a tendência de que o aparelho seja trocado anualmente.

Mas esta é apenas uma das saídas. Em tempos de MySpace, YouTube, Facebook , entre outros, onde artistas independentemente de suas idades – vide os “cases” de Mallu Magalhães e Susan Boyle – ou talento – vide os “cases” de Cansei de Ser Sexy e Arctic Monkeys -, se tornam estrelas da noite para o dia. Aliás, exemplos não faltam. É inegável que o acesso a um número infinito de informações possui suas vantagens, mas este excesso de oferta traz acoplado o risco da perda de filtros e da obtenção de um conteúdo apenas superficial. Muito provavelmente, em pouco tempo – se já não estiver acontecendo agora – os 15 minutos de fama propostos por Andy Warhol são igualmente representados por 15 milhões de cliques na esfera virtual.

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Dogme 95: Dinner before dessert

As part of a recent mission to widen my cultural horizons in film, I recently watched three Danish films from the Dogme 95 movement: The Celebration, The Idiots and Mifune’s Last Song. If you, like me, weren’t previously familiar with the genre, see here. To summarize very generally, the Dogme 95 directors promoted a return to the essentials of film as a reaction to the artificiality (introduced props, optical distortion, etc.) that they believed was beginning to overshadow acting and storytelling in mainstream moviemaking.

In an era of films like Avatar, when the sugary special effects and manipulation that once added something extra to movies have started to replace actual content, the mission of the Dogme 95 directors seems more pertinent than ever. Viewers in search of creative and thought-provoking storytelling – the visual equivalent of a satisfying meal – will be forced to look further and further beyond the hyper-commercialized and sanitized mainstream.

To extend the food analogy a bit further, if the experience of watching Avatar was like eating an entire plate of rainbow jello (in 3-D!) for dinner, then watching a Dogme 95 movie is like eating from the fresh garbage behind a fancy restaurant.

Here is a picture of rainbow jello (a favorite party food for children in U.S.-America) Kind of gross, no? (Source: Wikipedia)

Avatar and movies like it give us a colourful and mindless viewing experience, but ultimately they lack any memorable or challenging content. It’s like eating dessert without stopping for dinner.

Contrast this with The Celebration, The Idiots and Mifune’s Last Song. All three movies were engaging, fresh and often disturbing. They provoked the emotional and thoughtful and had the emotional and thoughtful response in me that I associate more with books than with film. If Hollywood’s biggest movies are designed to sell tickets and leave us temporarily satisfied, these three were designed to make viewers uncomfortable by confronting taboos (The Idiots, in particular, pushed the boundaries of good taste) and telling stories that many mainstream directors and studios would likely be afraid to touch.

But it wasn’t all gourmet eating. Overall, I found the directors’ dedication to making the films look “authentic” and rough to be more of a pretentious distraction than an enhancement to the stories they wanted to tell. I assume that the movement was intended primarily as a targeted reaction to the status quo, rather than as a new style to be adopted in the long term, but they serve as a good reminder that most films (and books, and songs, and pretty much any form of artistic expression) are edited or manipulated for a reason, and that when done right, these changes can be made to enhance the subject, rather than detract from it.

Overall, I enjoyed all three movies, but it was the impressive acting and storytelling, not the overly dim lighting in The Celebration or the shaky camera in The Idiots that made them fascinating. I love a rich meal however it comes, but I enjoy it more when someone sorts out the food from the garbage and arranges it on my plate.

Screen shot from The Celebration (Source: www.cultkanaal.nl)

I’d like to propose a toast… to finding the middle ground.

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A banalização da emoções

Coloque um DVD ou entre na sala escura de um cinema. O filme começa a rodar. A história, uma qualquer. Pode ser de um casal em amor recente, ou de outro que já descobriu o desencanto (e o resto de nossas vidas). Pode ser um conto fantástico sobre um bruxo possuído ou um conto de fadas sobre a mais bela das princesas. O gênero, da mesma forma, independe. Comédia, suspense, drama, ação, terror, aventura.

Assumimos uma cena: Uma pessoa dirige um carro. Câmera subjetiva. Vemos apenas a estrada. Pareceria inóspita se não fossem as tartarugas que, refletindo a luz dos faróis dos carros, ilumina-se como um vagalume gigantesco e estatelado ao chão.  Corta a cena. Agora temos uma câmera aberta. Enxergamos que o carro, que agora ganha caracerísticas de cor e modelo, é levado em alta velocidade, apesar de dentro dos padrões.

Agora pergunto: O que você acha que acontecerá com o veículo?

a-) Algum acidente

b-) Nada. Ele chegará ao seu destino tranquilamente.

Diferentemente do cotidiano comum, o cinema nos fez pensar que a resposta “a” é a mais possível. Ou melhor, é a resposta óbvia. A morte no cinema é uma coisa tão banalizada e, até certo ponto, necessária para qualquer história que acabamos acreditando que ela é uma coisa comum. Não sei de quem lê este texto, mas minha convivência (real) com a morte é extremamente restrita. Praticamente se resume a dois idosos cujas mortes eram iminentes e naturais.

De qualquer forma, por mais mortes que qualquer pessoa já tenha visto (a não ser que ela trabalhe no IML) é praticamente impossível se chegar aos níveis hollywoodianos. Mesmo tirando desta análise filmes como “O Exterminador do Futuro”, “Rambo” etc. por serem hors concours, o número de mortes por rolo é extraordinariamente abusivo.

Algumas análises do público frequentador de cinemas inferem que este busca filmes que saiam de sua realidade, uma vez que, se for para enxergar a si, não precisaria ir ao cinema – aliás, esta crítica é das mais frequentes em relação ao baixo interesse do público brasileiro nos filmes nacionais. Mas até que ponto esta banalização da morte, tornando-a tão comum como supérflua pode influenciar na aceitação da mesma na vida real? Eu, bizarramente não tive qualquer reação ao ver o corpo frio e recém-falecido de meu avô. Bizarramente? Quantas vezes eu já havia visto uma cena como aquela…

Além de impactar na vida – ok, talvez eu esteja exagerando neste ponto – a banalização da morte no cinema está tornando Hollywood cada vez mais trivial e desnecessária. Um exemplo é o filme “O Preço da Traição”. Assista ao trailer. Duvido você não acertar qual será o fim deste péssimo exemplo da cinematografia americana.

E a morte é apenas um exemplo. Não é absurdo acreditarmos que, no nosso dia-a-dia pode surgir um maníaco, um serial killer, que mata as pessoas a esmo? A mesma coisa para o amor e os finais felizes. A mesma coisa para pastelões forçosos e inexplicáveis em seus objetivos. Há uma grande diferença entre a magia do cinema e o abuso em cima de assuntos sensacionais visando apenas o interesse comercial. Até quando as pessoas aturarão esta exploração artística sentimentalóide e desmoralizante com o próprio dever da arte e da cultura, que – pelo menos ao meu ver – é parte fundamental da educação de uma pessoa?

As previsões são pessimistas….

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Laetitia Sadier in Valparaiso

Laetitia Sadier playing at the hotel Cirilo Armstrong in Valpo

Entre os cerros, cores e bohemia de Valaparaiso, o escondido porém elegante Hotel Cirillo Armstrong, atrai a atenção do público porteño. A informalidade singela da entrada do evento logo levava os espectadores a um sofisticado lobby, onde palco e bar tonalizavam o ambiente de um rústico marrom esverdeado, patrocinado pela Heineken. Entre conversas e vinhos, o clima aconchegante do recinto pedia a voz acalentadora de Laetitia Sadier que já se encontrava no recinto entre seus fans. Era como se o ambiente fosse a sala de estar de sua casa e nós, eftivamente, convidados.

Após cerca de vinte e cinco minutos do horário previsto para o início do show, a surpresa. A abertura seria feita por um cantor local da cidade. Após mais ou menos uns dois minutos de sua primeira canção, tivemos uma amostra significativa do que seria o resto de seu ’setlist’. Acordes afônicos e uma voz que cantava palavras esganiçadas de uma forma alternativa, desagradável de ser escutada. No início, foi uma experiência interessante. Era curioso o som que o Pacífico teria a nos oferecer. No entanto, no passar dos dois minutos mencionados previamente, já se podia ouvir no barulho das palmas dos fans o pedido por Laetitia Sadier. Tivemos que suportar mais seis músicas para que a voz do Stereolab finalmente subisse ao palco.

Com uma simpatia e uma presença marcante a atração da noite saudou o público em três idiomas e iniciou seu concerto aclimatando o ambiente, enchendo o local de um timbre hospitaleiro. As músicas trazidas em sua turnê são bastante tranquilas e agradáveis, apesar de musicalmente fugirem consideravelmente dos padrões populares. O contraste de harmonias tensas e voz melódica propicia uma interação incomum,  como se popularizasse o experimental.

Durante as músicas, porém, a francesa parecia explicar o motivo da demora de sua entrada. Erros notórios no violão e falas um tanto quanto inesperadas questionavam seu nível de sobriedade. Mesmo assim, sua qualidade foi soberana ao longo de sua apresentação.

O público chileno se demonstrou contido durante quase todo o espetáculo e pareceu desmotivar Laetitia, que deixou o palco com pouco mais de 30 minutos de show. A cantora destribuiu autógrafos, tirou fotos, e ainda tomou mais algumas taças antes de deixar o recinto.

A experiência foi interessante. É intrigante que mesmo em Valpo, terra chilena criativa, da construção e descontrução cultural, a sinergia necessária para a sincronia entre artista e público fique a desejar.

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It’s Alive!

O Procapite é a mais nova iniciativa de publicação crítica desenvolvida por um grupo heterogêneo de colaboradores com os mais diversos backgrounds culturais. Nossa idéia é públicar conteúdos atuais sobre temas variados acerca de producões artísticas, cinematográficas e musicais, debatendo assim questões que permeiam nossos acontecimentos cotidianos.

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